terça-feira, janeiro 30, 2007

I CHING


A revista Super Interessante de Janeiro/2007 publicou excelente matéria sobre esta sabedoria milenar chinesa.

Zero, um, zero, zero, um, um. Sem esses dois números em combinações intermináveis, o mundo de hoje seria chatíssimo. Eles formam o código binário, usado por todo computador que existe para transmitir trilhões de dados dia a dia, guardar toda uma vida numa caixa postal de e-mail e deixar íntimas pessoas que moram a milhares de quilômetros de distância. Esse sistema foi cunhado no século 18 pelo matemático alemão Gottfried Wilhelm Leibniz, mas sua origem, segundo o próprio Leibniz, é muito mais antiga. Está em um livro chinês de adivinhação e consulta espiritual que guardaria a verdade universal, seria uma miniatura do infinito e a chave para o funcionamento do Universo: o I Ching, o Livro das Mutações.

Com pelo menos 3 mil anos de existência, o I Ching se baseia na idéia de mutação contínua, regida pela soma das forças cósmicas do yin (a sombra) e do yang (a luz). O livro caminhou junto com a história da China. Ajudou a criar religiões orientais, como o taoísmo, foi a principal fonte de inspiração do pensador chinês Confúcio e serviu como elemento unificador do país durante o século 3 a.C. Também deixou herança não apenas na matemática ocidental. "O I Ching está mais ligado ao inconsciente que à atitude racional da consciência", escreveu em 1949 o psicanalista Carl Jung, que usava o livro em sessões de análise. Para o físico Niels Bohr, a obra está na raiz da física quântica, um dos principais pilares da ciência atual. Com você, a história do livro mais antigo do mundo.

A lenda
Certo dia, lá pelo ano 3000 a.C., Fu Hsi, o primeiro imperador da China, passeava pelas margens do rio Amarelo, no norte do país. Contam as lendas que Fu Hsi não era apenas um soberano sábio, mas também o homem que inventou a escrita, o matrimônio e a arte da costura. Naquele dia, caminhando pela beira das águas, o imperador multimídia fez sua descoberta mais intrigante. No meio do passeio, FuHsi viu uma criatura emergir das águas para descansar às margens do rio: corpo de dragão, cabeça de cavalo (os mitos garantem que bichos fabulosos eram corriqueiros na fauna chinesa). Aproximando-se, o sábio notou que havia 8 símbolos geométricos inscritos nas costas da criatura. Cada imagem era composta por séries de 3 linhas: algumas inteiras ( - ), outras partidas (- -), como você pode observar nestas páginas. No momento em que colocou os olhos neles, o soberano teve uma iluminação divina. Achou que aqueles signos continham a chave para todos os segredos do Universo. Memorizou a seqüência de símbolos - que mais tarde seriam batizados de "trigramas" - e os deixou para seus descendentes e sucessores, com uma dica: quem os estudasse ganharia o poder e o conhecimento sobre todas as coisas.

Em algum momento da Antiguidade, os trigramas foram combinados uns com os outros e deram origem a 64 símbolos formados por 6 linhas - os hexagramas. Ao longo dos séculos, os 64 símbolos ganharam comentários e foram organizados em forma de livros - e os livros guardados a sete chaves nos palácios dos reis e nas bibliotecas de feiticeiros e eruditos. Os chineses levavam ao pé da letra (e alguns ainda levam) a tradição que herdaram de seus ancestrais remotos: naquela obra, estaria a solução para todas as equações do Universo.

Segundo historiadores antigos, como o chinês Sima Quien, que viveu uns 200 anos antes de Cristo, o I Ching teve 4 autores - e Fu Hsi foi apenas o primeiro deles. Hoje, a maior parte dos estudiosos coloca em dúvida a existência de Fu Hsi. "Quando atribuem a ele a origem dos hexagramas, os chineses querem dizer, simplesmente, que os símbolos são mais antigos que toda a memória histórica", escreve o sinólogo alemão Richard Wilhelm, no prefácio de sua tradução do I Ching, publicada na Europa em 1923. Entre 3000 e 2000 a.C., os 64 hexagramas foram compilados em forma de livro - na época, um "livro" era um feixe de tábuas de bambu amarrados pela extremidade, já que o papel só surgiria na China durante o século 2. Nessa forma, o "livro" passou com registros históricos confiáveis à 1ª dinastia - os Shang, que reinaram de 1600 a.C. a 1070 a.C.

Em diversos impérios que ocupavam o território da atual China, ninguém questionava o poder dos hexagramas - mas a maneira de interpretar sua sabedoria oculta variou imensamente. O significado dos trigramas era relativamente simples: cada um representava, ao mesmo tempo, uma característica da natureza (céu, terra, trovão, água, montanha, vento, fogo e lago) e um traço da psique (criatividade, abrigo, agitação, melancolia, constância, flexibilidade, iluminação, serenidade).

Dois símbolos combinados, por outro lado, eram enigmáticos. Muitas das interpretações inventadas para decifrá-los foram acrescentadas ao livro - o I Ching, como o conhecemos hoje, são os 64 símbolos misteriosos mais um calhamaço de comentários feitos durante 6 séculos, pelo menos. O problema é que as tais explicações, na maior parte das vezes, são tão confusas que só aprofundam o mistério. Experimente, por exemplo, abrir o livro logo na primeira página - você vai encontrar um hexagrama chamado Chien ("O criativo"). Logo abaixo, diversas interpretações escritas em forma de verso, por volta do século 11 a.C. Primeiro, uma frase corriqueira: "Sucesso. A perseverança recompensa". Logo adiante, o seguinte imbróglio: "Vôo hesitante sobre as profundezas. Subitamente, você vê uma revoada de dragões sem cabeça". Deu para sentir o drama, não?

Apesar da dificuldade de entender esses provérbios, chineses de todas as classes - desde os plebeus que aravam os campos até os reis e generais que comandavam exércitos - consultavam o livro na hora do aperto. A consulta seguia um ritual complicado: 50 caules de uma planta chamada milefólio eram várias vezes chacoalhados e lançados sobre uma mesa. A posição das varetas dava origem a uma seqüência numérica que por sua vez indicava um dos 64 hexagramas. E os sábios chineses interpretavam cada um como conselho divino, uma chave para entender os acontecimentos presentes e a melhor maneira de agir no futuro.

A filosofia chinesa encarava o Universo como uma massa de energia em constante transformação - e os 64 símbolos seriam retratos de padrões cósmicos que se repetem e se alternam constantemente. Esses padrões ou estágios de metamorfose ocorrem tanto na mente humana e nas relações sociais quanto nos fenômenos da natureza - ou seja, abarcam tudo, desde os problemas domésticos de um camponês até o movimento das galáxias. Daí o primeiro nome do livro, que na época era apenas I, "Mutações".

Para entender a essência de cada hexagrama, é preciso desmontá-lo: a chave dos símbolos está nas linhas que os compõem. "Linhas inteiras representavam o céu, enquanto linhas interrompidas indicavam a terra", explica o monge budista Gustavo Alberto Corrêa Pinto, que traduziu o I Ching para o português na década de 1980. Na China antiga, acreditava-se que a Terra estava parada no centro do Universo, enquanto o céu, com seu séquito de constelações, nuvens, pássaros e meteoros, movia-se ao redor dela. Do céu vinham a luz e a chuva, que fecundavam o solo e davam origem à vida. Por isso, a linha inteira significa o elemento ativo, luminoso, masculino do Universo; a linha quebrada era o feminino, o escuro, o repouso.

Com o tempo, essas energias opostas, mas complementares, ganharam nomes próprios (e foi com esses nomes que se tornaram notórias no Ocidente, milhares de anos depois): yang e yin. As duas palavras significam, literalmente, o lado sombrio e o lado iluminado de uma montanha. Em termos filosóficos, elas simbolizam todos os opostos que formam o mundo. Cada hexagrama seria uma combinação de luz e sombra, macho e fêmea, ação e imobilidade, ímpeto e paciência, yin e yang- formando uma dança cósmica de opostos que rege o Universo.

Até os tempos da dinastia Shang (por volta dos séculos 18 a 11 a.C.), os adivinhos que estudavam o I não colocavam suas interpretações por escrito. O livro era só uma coleção muda de símbolos mágicos, sem nenhuma notinha de rodapé. Os primeiros textos explicando a natureza de cada "mutação" foram compostos nos últimos anos da dinastia Shang, em meio a intrigas políticas e guerra civil.

Segundo a lenda, Chou Hsin, o último imperador Shang, que reinou em meados do século 11 a.C., era famoso como pinguço proverbial e temido por sua terrível crueldade. Os nobres do reino, cansados dos seus shows de horrores, tramaram a queda do déspota. O líder da conspiração era um certo conde Wen, que governava uma província no noroeste da China (por coincidência, a região tinha o mesmo nome do soberano doido Chou). Durante algum lapso de sobriedade entre suas ressacas homéricas, o imperador foi informado da tramóia. Não deu outra: Wen foi preso e jogado no calabouço. Nas sombras da prisão, o conde rebelde se tornou o segundo autor do Livro das Mutações.

Wen aparece nas lendas como um sábio versado nas artes da profecia. Segundo o historiador Ma Rong, do século 2, o conde passava o tempo na prisão meditando sobre o significado dos símbolos. Resolveu preservar suas interpretações para a posteridade: batizou cada hexagrama com um nome, resumindo suas características essenciais. O primeiro hexagrama, formado apenas por linhas inteiras ou yang, chamou-seChien, o criativo. O segundo, só com linhas quebradas ou yin, foi batizado de Kun, o receptivo. Os demais símbolos, que são uma salada mista de yang e yin, ganharam nomes como Conflito, Paz, Estagnação e assim por diante. Além disso, Wen escreveu textos em forma de poemas, que mais tarde foram acrescentados ao corpo do livro, com o nome de Julgamentos - e lá estão até hoje. Os versos de Wen contêm conselhos curtinhos - dignos daquelas mensagens em biscoitinhos da sorte ou horóscopos. O texto do hexagrama 4, por exemplo, diz: "Se você é sincero, terá luz e sucesso".

Após 7 anos de prisão, Wen voltou a ver a luz do dia. Assim que botou os pés fora da cadeia, passou a conspirar contra o soberano Chou. Retornou à província de Chou, reuniu exércitos, cativou a lealdade do povo. E, por volta de 1180 a.C., declarou guerra ao imperador. Seus exércitos marcharam contra a capital You-li, mas não rápido o bastante: Wen, que estava velhinho, morreu antes de sentir o gosto da vitória. Os louros couberam a seus filhos, Wu e Dan. Ambos aniquilaram as forças imperiais em batalhas tão violentas que, segundo a lenda, rios de sangue correram pelos campos da China. Chou Hsin foi cercado na capital; vendo que tudo estava perdido, resolveu partir em grande estilo e tocou fogo no próprio palácio. Morreu queimado - com todo seu harém.

Os conquistadores inauguraram uma nova dinastia - que, em homenagem à região, chamou-se Chou. Nos anos seguintes, a China foi governada por Dan, conhecido como duque de Chou. A ligação com o Livro das Mutações devia correr mesmo no sangue da família: enquanto organizava o reino e combatia rebeldes, Dan seguiu os passos do pai e escreveu mais uma batelada de interpretações para os hexagramas. O terceiro autor do I Ching é bem mais obscuro que o segundo. Os textos do duque de Chou (acrescentados ao livro com o título de Imagens) hoje soam quase psicodélicos. Aquelas linhas sobre revoada de dragões sem cabeça, que você encontrou no início da reportagem, são assinadas por ele. Outras pérolas: "Erga o bastão de jade; alguma coisa vai cair do céu" (no hexagrama 44); "A raposa espia: ela vê porcos enlameados se aproximando e uma carroça cheia de fantasmas" (hexagrama 38). Frases que não fariam feio em uma música de Bob Dylan ou num poema dadaísta.

Com o tempo, a língua chinesa mudou, e aqueles versos em estilo arcaico tornaram-se enigmáticos para os próprios chineses. Todas as passagens que reproduzimos aqui, a propósito, são traduções aproximadas. "Depois de alguns séculos, ninguém tinha a menor idéia do que os Julgamentos e as Imagens realmente significavam. Os textos eram tão ambíguos que praticamente qualquer interpretação podia ser dada a eles", escreve o lingüista britânico Richard Rutt no livro Zhouyi: The Book of Changes, de 2002 ("I Ching: O Livro das Mutações", sem edição no Brasil). Hoje, há tantas explicações para as charadas de Wen e Dan quanto há tradutores e estudiosos do I Ching.

O sinólogo Steve Marshall, também britânico, acredita que o enigma tem uma explicação relativamente simples: os versos confusos seriamreferências cifradas a fatos históricos. Exemplo disso é uma linha que o duque de Chou compôs para o hexagrama 55: "O arado é visto ao meio-dia". Segundo Marshall, o tal "arado" era o nome dado pelos chineses a um grupo de 7 estrelas que integra a constelação da Ursa Maior. O texto indicaria um eclipse total do Sol por volta do ano 1070 a.C., que teria escurecido toda a China e feito com que as estrelas brilhassem em pleno dia. Antigas tradições dizem que a queda dos Shang foi anunciada por apavorantes fenômenos naturais na terra e no céu, sinal da ira divina contra o imperador louco - e Marshall acredita que o verso do duque celebra o fato. Os textos do I Ching seriam, portanto, uma espécie de livro de história codificado. "Ele tem uma narrativa oculta por trás de muitas de suas sentenças enigmáticas", escreve ele na obra The Mandate of Heaven: Hidden History in the I Ching, de 2001 ("O Mandamento Divino: A História Oculta no I Ching", também sem edição brasileira).

Os descendentes do conde Wen governaram a China até o século 3 a.C. Foi uma época de ouro: a literatura floresceu, as artes se refinaram. Por volta do século 6 a.C., os hexagramas e suas interpretações já eram considerados o maior clássico da China - ainda que a maior parte das pessoas não entendesse seu significado. A dinastia Chou adotou o livro como uma espécie de manual de governo - tanto que, na época, a obra ganhou um segundo nome, Chou-I, "Mutações dos Chou". Para entender os conselhos de seus prolixos ancestrais, os Chou precisavam de intérpretes bem gabaritados: na corte, havia uma ordem de xamãs cuja especialidade era tirar conselhos administrativos dos hexagramas.Embora o uso "mágico" seguisse em alta, intelectuais chineses voltaram sua atenção para o lado filosófico do livro, deixando de lado o que achavam pura superstição. O grande responsável por essa transição foi, precisamente, o maior filósofo chinês de todos os tempos: Kung Fu Tsé, que no Ocidente ficou famoso pelo apelido latinizado, Confúcio.

Confúcio, que nasceu em 531 a.C., não era um sujeito supersticioso. Mesmo assim, ele passava horas e horas lançando as varetas de milefólio e estudando os hexagramas. "O I Ching o deliciava", afirma Sima Quien em uma biografia escrita 400 anos mais tarde. Confúcio dedicou boa parte da vida à organização e crítica dos grandes clássicos da literatura chinesa, que na época andavam meio espalhados em tomos caóticos. Colocou as obras em ordem e acrescentou-lhes capítulos e comentários. O resultado é a coleção chamada Seis Clássicos Confucianos - obra que todo candidato a sábio devia saber na ponta da língua. Nos séculos seguintes, a leitura dos Seis Clássicos seria requisito para quem quisesse fazer concursos públicos e trabalhar no governo. E o primeiro título da lista, adivinhe qual era? Sim: as Mutações de Chou, que Confúcio rebatizou com o nome que traz até hoje, I Ching.

Segundo Sima Quien, Confúcio foi o quarto autor do I Ching. Escreveu copiosas interpretações para os versos do clã Chou - mais tarde, esses comentários ganhariam o nome de Dez Asas. Ele não buscava oráculos para o futuro nem receitas para tirar ouro da cartola. Era, antes de mais nada, um moralista: acreditava que uma sociedade perfeita só seria construída quando todos os membros de uma nação se esforçassem por cultivar a ética individual. "Nas 64 situações descritas no livro, ele procurava indicações sobre a maneira mais moral de agir em determinadas circunstâncias", explica o sinólogo Mário Spoviero, da USP.

Por exemplo: Confúcio viu no primeiro hexagrama, formado apenas por linhas sólidas, um emblema das 4 maiores virtudes da ética chinesa - amor, respeito à tradição, justiça e sabedoria. Quem encarnasse o hexagrama Chien seria o homem ideal para erguer impérios. "Ele se eleva acima da multidão de seres e todas as terras se unem em paz", escreveu Confúcio.

Os anos passaram, a glória dos Chou ficou para trás e outras dinastias se seguiram - mas o I Ching permaneceu impávido. Na Idade Média (por volta do ano 1070), um filósofo chamado Shao Yong criou uma disposição alternativa para os hexagramas, começando por Kun, o receptivo, e terminando por Chien, o criativo. Segundo ele, essa ordem seguia uma seqüência matemática mais precisa e era a disposição correta segundo os desígnios dos deuses. Séculos depois, a "ordem de Shao Yong" serviu de passaporte para que o I Ching migrasse da filosofia antiga para os braços da ciência moderna.

O I CHING E A CIÊNCIA MODERNA

Hoje, o interesse dos ocidentais pelo I Ching pode ser explicado pelo fenômeno conhecido como pós-modernismo. Em vez de seguir religiões tradicionais que fornecem verdades únicas, cada vez mais se opta por crenças exóticas, sem normas rígidas e que não exigem engajamento. Traços da cultura oriental, como o budismo, o yoga e o I Ching, entram nessa onda, assim como o Santo Daime e seitas neopentecostais. "Desponta um novo caminho da religião que, em muitos aspectos, se afasta dos moldes tradicionais", afirma o teólogo José Queiroz, da PUC-SP.

O contato entre os fenômenos sagrados do Oriente e do Ocidente começou no século 16, quando missionários jesuítas começaram a viajar à Ásia para catequizar os "pagãos". Pouco a pouco, notícias fragmentadas sobre as estranhas maravilhas da cultura chinesa começaram a pingar no nosso lado do planeta.

O primeiro grande cientista europeu a se interessar pela civilização da China foi um cortesão, diplomata e acadêmico alemão do século 17: Gottfried Wilhelm Leibniz (1642-1727). Numa época em que a maioria dos ocidentais nem sabia onde ficava a China, Leibniz tinha uma fonte privilegiada de informações sobre o país - era amigo de um jesuíta francês chamado Joachim Bouvet. Em uma das cartas que enviou a Leibniz de Pequim, por volta de 1699, Bouvet falou de certo livro antiqüíssimo, que segundo os chineses continha a chave para o conhecimento de todas as coisas. Essa era a idéia típica da ciência do século 17: que havia uma chave, uma teoria que explicaria todo o funcionamento do mundo. Em anexo, o jesuíta presenteou o amigo com uma cópia dos 64 hexagramas de Fu Hsi, arranjados na seqüência de Shao Yong.

"Quando viu os símbolos do I Ching, Leibniz ficou quase alucinado, pois sempre havia sonhado com uma ciência que abarcasse todo o Universo", conta o sinólogo Spoviero. Leibniztratou de procurar ligações entre o I Ching e suas próprias investigações científicas. E não é que encontrou? Alguns anos antes, Leibniz havia inventado o sistema binário - aquele que utiliza apenas combinações variáveis de dois dígitos, 0 e 1, para representar todos os números. Sem esse sistema, a civilização digital de hoje em dia não existiria. Após examinar os signos enviados por Bouvet, Leibniz se convenceu de que os 64 hexagramas, na verdade, eram uma primitiva tabela binária. Basta substituir as linhas inteiras pelo dígito 1, e as quebradas pelo 0 - e, em vez de grupos geométricos, surge uma seqüência de números binários com 6 dígitos. Kun torna-se 000000 - o equivalente binário ao número 0 -; Chien, no fim da tabela, vira 111111 - ou seja, 63. Um rudimento neolítico de ciência da computação.

Pode ser só coincidência matemática - assim como as complicadíssimas semelhanças entre os 64 hexagramas e as 64 possíveis combinações de proteínas do código genético, deslindadas pelo alemão Martin Schonberger em The I Ching and the Genetic Code, de 1973 ("O I Ching e o Código Genético", sem tradução no Brasil). Também há coincidência entre o I Ching e a física quântica, que estuda o comportamento da matéria na escala microscópica, ou seja, os átomos e seus pedacinhos - prótons, nêutrons, elétrons. Até o começo do século 19, a ciência ocidental era dominada pela doutrina da física "mecanicista": a matéria era vista como algo morto, imutável. Toda mudança que ocorria no mundo seria resultado de leis criadas por Deus, impostas de cima para baixo, exteriores ao próprio Universo. No século 19, surgiu a idéia de que o mundo sofre um progresso linear, idéia que acabou celebrizada na Teoria da Seleção Natural de Darwin.

No início do século 20, com os estudos de cientistas como Albert Einstein, James Maxwell e Niels Bohr, a coisa ficou ainda mais parecida com o I Ching. As novas teorias pintaram um Universo parecido com o proposto pelosmísticos chineses. Os físicos do século 20 descobriram que as partículas que compõem a matéria estão em perpétua transformação: prótons se convertem em elétrons que se convertem em nêutrons, e assim por diante. O Universo não é algo estático, mas uma massa de energia em constante transformação, uma teia de processos infinitos e dinâmicos - ou mutações. E mais: o fluxo de metamorfoses que domina o mundo subatômico e forma tudo o que existe é regido pela dança de opostos. Os elétrons de carga negativa giram em torno dos núcleos de carga positiva, formando o átomo e o Universo.

Niels Bohr (1885-1962), um dos pais da física quântica, sabia das semelhanças entre sua ciência e certo livro antigo da China. Tanto que, após uma viagem ao Oriente em 1937, incluiu no brasão de armas de sua família o tai chi - aquela esfera metade escura, metade clara, símbolo da interação entre yin e yang. "Lendo o I Ching, ele se inspirou para elaborar muitos conceitos fundamentais da física quântica", escreve o biólogo molecular Johnson Fa Yan em O DNA e o I Ching. Bohr ajudou a derrubar a noção de que as leis que regem o Cosmos são independentes da matéria - em vez disso, hoje se acredita que essas leis emanam da própria energia em mutação que forma o mundo. Idéia que pode ser resumida no seguinte lema: "As leis naturais não são forças externas às coisas, mas representam a harmonia e o movimento inerente às próprias coisas". Note bem: essa frase não saiu de um livro de física. É um trecho do I Ching.

Entenda como funciona o I Ching

O método tradicional de consulta envolve 50 caules de milefólio - uma planta sagrada na China, que também era usada para fazer poções do amor.
A consulta com os caules é complicada e lenta, mas existe um método mais simples. Em vez de 50 varetas exóticas, ele requer apenas 3 moedinhas das mais comuns.

1- Sente-se voltado para o sul, de pernas cruzadas, respirando fundo.
Isso tudo é mero ritual - serve para aguçar a concentração, relaxar a alma etc. Se você é do tipo impaciente ou se tem alergia a incenso, não tenha pruridos e pule logo para o próximo item.

2- Tire 3 moedas iguais da carteira. Mentalmente, faça uma pergunta ao I Ching. As perguntas devem ser específicas, diretas e sérias. Nada de "qual é o sentido da vida?" ou "o que eu vou almoçar amanhã?" Chacoalhe as moedas e deixe-as cair sobre uma superfície lisa e rígida.

3- Olhe as moedas jogadas e faça um cálculo simples: cara é igual a 3, coroa é igual a 2. Some o número equivalente a cada moeda. O resultado será 6, 7, 8 ou 9. Anote o número no seu caderninho.

4- Terminada a operação, faça tudo de novo outras 5 vezes, sempre anotando o resultado. O hexagrama vai sendo montado de baixo para cima: a primeira conta vai definir a última linha do hexagrama, a segunda a penúltima e assim por diante.

5- No seu caderno, você terá uma seqüência de 6 números. Transformá-la em um hexagrama é fácil: 9 e 7
devem ser trocados por uma linha inteira (yang); 6 e 8, por uma linha partida (yin). (Como no fim há apenas duas formas de linhas, a conta poderia ser feita com apenas uma moeda. Utilizam-se 3 para definir padrões
mais avançados dos trigramas.)

6- Procure o hexagrama obtido na tabela do I Ching e leia os textos referentes. Os chineses osinterpretam como um conselho do Universo em relação a determinado problema. A questão é que o Universo, aparentemente, tem um certo gosto por falar em enigmas. Interpretá-los e desvendá-los é tarefa sua. Boa sorte.

O I CHING E A HISTÓRIA DA CHINA
Cinqüenta séculos de encontros e desencontros

Séculos 30 a 11 a.C.

CHINA
Descobertas arqueológicas mostram que a civilização chinesa surgiu nessa época, no vale de Henan, centro do país.
É quando aparece a agricultura, a escrita, a divisão de tarefas e até mesmo usinas rudimentares de fundição para fazer objetos e esculturas de bronze.

I CHING
Segundo a lenda, Fu Hsi encontra 8 símbolos (os trigramas) nas costas de um dragão, às margens do rio Amarelo, por volta de 3000 a.C. Uma variante do mito conta que o imperador compôs os signos a partir de observações da natureza.


Séculos 11 a 3 a.C.

CHINA
O território chinês é ocupado por diversos reinos pequenos que freqüentemente lutam entre si. Com a dinastia Chou, surgem condições para a unificação dos reinos. Começa um período de força cultural e filosófica, representado pelo filósofo Confúcio.

I CHING
Ganha interpretações dos seus 3 escritores históricos: o conde Wen, criador da dinastia Chou, seu filho, o duque de Chou, e o filósofo Confúcio. Nessa época, o I Ching se torna também uma espécie de manual utilizado pelos administradores do governo.

Séculos 3 a.C. a 2

CHINA
Os reinos são unificados, dando início à dinastia Qin. O imperador Qin Shi Huangdi é o primeiro da China unificada. Ele organiza o calendário, o sistema de escrita e inicia a Muralha da China. Ao morrer, é enterrado com 6 mil estátuas de terracota, os guerreiros de Xi'an.

I CHING
O imperador Qin manda queimar todos os livros e registros que não sejam sobre a sua dinastia. Mesmo assim, o I Ching sobrevive misteriosamente, ao contrário de vários textos importantes para a época, como alguns escritos pelo filósofo Confúcio.

Séculos 2 a 16

CHINA
As poderosas dinastias Han, Tang e Song protagonizam períodos de conflito e união. A China se torna uma das civilizações mais avançadas da época. Mas, no século 14, os mongóis conquistam o país: Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, passa a governá-lo.

I CHING
Torna-se o clássico absoluto da civilização chinesa. Não serve apenas como um manual de adivinhação: vira uma explicação para tudo o que existe. No Ocidente, no entanto, ele continua sendo um ilustre desconhecido.

Séculos 16 a 18

CHINA
A dinastia Ming expulsa os mongóis. Enquanto isso, a Igreja Católica envia missionários da ordem dos jesuítas à China, que ficam fascinados pela cultura do país. A navegação se desenvolve e a Cidade Proibida, em Pequim, é construída.

I CHING
Pelas mãos dos jesuítas, o I Ching chega à Europa junto com os vasos Ming, que viram peças de coleção dos reis europeus. Na onda de artefatos exóticos chineses, a obra atrai eruditos como o cientista Wilhelm Leibniz. É o início do namoro entre o livro e o Ocidente.

Século 20

CHINA
Um levante popular derruba a dinastia Qing, a última da história da China. Em 1949, os comunistas estabelecem a República Popular da China, governada com mão de ferro e vigorando até hoje, apesar da aproximação cada vez maior do país com o capitalismo.

I CHING
Os comunistas banem o livro, que, apesar disso, continua sendo consultado em segredo. Anos depois, ele é reabilitado. No Ocidente, o I Ching vira superstar, assim como outras manifestações orientais. Inúmeras traduções surgem nas principais línguas ocidentais.

I CHING, O SUBVERSIVO

Depois do século 5 a.C., o I Ching deixou de ser só um manual de profecias e ganhou o título lisonjeiro de"clássico confuciano". No século 20, essa relação umbilical com o filósofo mais famoso da China se tornou perigosa e quase levou o I Ching à extinção. Em 1949, quando o Partido Comunista subiu ao poder, Mao Tsé-tung, ditador todo-poderoso, decidiu que a filosofia e a espiritualidade da antiga China imperial deviam ser ceifadas pela foice e o martelo da revolução. Nenhuma obra devia fazer sombra ao Livro Vermelho - a cartilha ideológica escrita por Mao. Confúcio foi uma das vítimas favoritas dessa caça às bruxas: sua filosofia foi declarada "burguesa" e "contra-revolucionária", dois palavrões horrorosos para regimes comunistas ao redor do mundo. Em 1966, o governo mandou apreender e queimar todos os livros relacionados ao velho Mestre Kung - e o I Ching entrou na lista negra. Agentes do governo confiscavam exemplares da obra às centenas e prendiam quem ousasse escondê-los. Mas, nas aldeias remotas, em cabanas perdidas nas montanhas ou em redutos secretos das grandes cidades, as varetas de milefólio continuaram a ser lançadas, como acontecera nos milênios anteriores. "Atacado, proibido e perseguido, o I Ching só não desapareceu na China por ter sido preservado na clandestinidade, pelo uso popular", conta o monge budista Gustavo Alberto Corrêa Pinto. Vendo que não podia vencer seus inimigos, o Partido Comunista resolveu unir-se a eles: na década de 1980, os governantes do país tiraram o confucionismo da ilegalidade e propuseram uma mescla entre os ensinamentos de Confúcio e Karl Marx. O I Ching saiu do índice dos livros proibidos e voltou ao panteão dos clássicos chineses.

O PSIQUIATRA BICHO-GRILO

Sentado no chão do pátio, à sombra de uma pereira centenária, o sábio lança varetas e consulta os oráculos do I Ching. Dia após dia, durante horas e horas, sem se cansar. "O Livro das Mutações é um ser vivo e em suas respostas podemos notar a marca de uma personalidade distinta", escreveu aquele intelectual alguns anos mais tarde, relatando suas experiências com o clássico.
A cena descrita acima não se passa na China antiga, mas em um pequeno castelo na cidadezinha de Bollingen, na Suíça, durante o verão de 1920. O sábio sentado no chão é o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung,umpioneiro no estudo do inconsciente humano no século 20. Jung, que de cético não tinha nada, acreditava que a mitologia e as religiões da Antiguidade podiam ajudar o homem a conhecer melhor sua própria alma. O psiquiatra sempre se interessou por filosofia oriental - mas foi nas férias de verão de 1920 que começou a lançar as varetas proféticas. Foi amor à primeira consulta. "Encontrei relações cheias de sentido entre o que diziam os textos dos hexagramas e meus próprios pensamentos - fato que eu não conseguia explicar a mim mesmo", conta Jung no livro Memórias, Sonhos, Reflexões. O fascínio do I Ching levou Jung a formular a teoria da "sincronicidade", segundo a qual, em determinadas ocasiões, paralelos emergem entre o mundo da mente e omundo real - paralelos que, segundo ele, a civilização ocidental chama de "mera coincidência". Para Jung, a coincidência não deve ser desprezada: o acaso, muitas vezes, faz sentido. A indicação de um determinado hexagrama pelo lançamento de varetas ou moedas pode parecer algo aleatório, mas também pode iluminar elementos ocultos no inconsciente de quem faz a consulta. Mesmo quando o sentido das frases é ambíguo e rarefeito, o simples ato de refletir sobre elas pode levar o paciente ao autoconhecimento. Jung testou sua teoria no consultório. Certa vez, tratava um jovem com complexo de Édipoque pretendia casar com uma mulher que lhe lembrava profundamente a própria mãe. O psiquiatra sugeriu que o paciente consultasse o I Ching - e o texto do hexagrama resultante era o seguinte: "A jovem é poderosa; não se deve casar com uma jovem assim". Pura coincidência? Talvez sim. Mas a terapia funcionou.

Se quiser mais informações vá ao site da Revista Planeta.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Acidente ou negligência? Só não pode dizer que foi uma fatalidade


Governo excluiu técnicos do Metrô da fiscalização das obras
Sindicato dos Metroviários denuncia que governo paulista atendeu à reivindicação das empreiteiras e, na licitação das obras, determinou que as próprias empresas fiscalizariam a construção da Linha 4.
Para os metroviários, contrato respondia ao projeto da privatização do sistema de transporte por meio da Parceria Pública Privada (PPP), cujo consórcio vencedor reúne empresas responsáveis pela obra, como Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht
Renato Godoy de Toledo,
da Redação
O acidente nas obras da linha 4 do Metrô de São Paulo, na sexta-feira (12), que vitimou oito pessoas (duas delas já encontradas sem vida, as demais permanecem desaparecidas), pode ter sido resultado de um processo que vem sendo denunciado há muito pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo.
O consórcio Via Amarela, formado pelas empreiteiras Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, venceu em 2003 uma licitação aberta pelo governo estadual, então liderado pelo tucano Geraldo Alckmin. A licitação, que permitiu ao consórcio executar as obras da linha 4 do metrô, foi feita no sistema "turn key", no qual a contratada é responsável por todas as etapas da obras. Sendo assim, o consórcio acumula as funções de execução da obra e de fiscalização, tanto técnica quanto financeira.
Desde sua fundação em 1968, esta é a primeira obra do Metrô em que o corpo técnico da empresa foi completamente alijado do processo. "Nossos técnicos têm reconhecimento internacional. Antigamente, a empreiteira era contratada e os técnicos do Metrô acompanhavam, dando aval ou não sobre os avanços da obra. Agora, somente quando as obras estiverem concluídas é que os técnicos terão acesso à sua estrutura", diz Manuel Xavier, diretor de comunicação do Sindicato dos Metroviários.
Xavier afirma que as empreiteiras costumavam se queixar do rigor dos técnicos do Metrô. "Eles trabalham com a lógica do mercado, evidentemente, querem o lucro, então tentam concluir tudo o quanto antes e com o menor custo", conclui Xavier.
Para o Sindicato, o processo de licitação para a execução da obra está vinculado com a licitação que prevê a exploração da Linha 4 pela iniciativa privada, por meio do regime da Parceira Público-Privada (PPP). O consórcio vencedor é composto por grupos nacionais e estrangeiros e inclui a participação de empreiteiras que também são responsáveis pela obra, como a Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht.
A exploração da linha 4 do Metrô por empresas privadas foi alvo de mobilização da categoria dos metroviários, contrária à privatização do sistema de transporte." O Metrô, e os demais transportes, são um bem público. Não podem ser submetidos à lógica do mercado", defende o dirigente sindical.
Tragédia anunciada
Outra obra do Metrô em andamento, a ampliação da linha 2 (que liga a Vila Madalena, Zona Oeste, ao Alto do Ipiranga, na Zona Sul), está sendo feita no sistema "antigo" de parceria, em que os técnicos orientam os funcionários da empreiteira. Nessa obra, nenhum acidente foi registrado, ao passo que na linha 4, sem contar o desabamento da última sexta-feira, já ocorreram dezenas de acidentes, com 11 operários feridos e um morto.
"Em março de 2005, quando ocorreram os primeiros acidentes, pedimos uma audiência pública na Assembléia Legislativa de São Paulo para que o governo estadual e a direção da Companhia do Metropolitano (Metrô) explicassem o porquê de tantos acidentes, mas ambos acharam que a questão não era relevante", denuncia Xavier.
Após os primeiros acidentes, o sindicato pediu ao Ministério Público que investigasse as causas. As investigações foram iniciadas, mas, segundo Xavier, "não foram ágeis o suficiente para evitar a tragédia da última sexta-feira". Com o início das obras, algumas casas nas imedições do bairro de Pinheiros (Zona Oeste), sofreram afundamentos, rachaduras e até desabamentos parciais.
Cientes disso, no dia 28 de abril de 2006, os deputados estaduais Simão Pedro (PT) e Nivaldo Santana (PcdoB) enviaram à Procuradoria Geral da Justiça de São Paulo uma representação para a imediata apuração dos "danos à ordem urbanística", que colocavam em "risco a segurança, integridade física, saúde e vida" dos moradores da região. (www.brasildefato.com.br)

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Donativos para os desabrigados pela chuva de Nova Friburgo

Associação Comercial recolhe donativos para os desabrigados

Alimentos e colchonetes são os itens de mais necessidade

A Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo – Acianf está promovendo uma campanha para recolhimento de donativos para as famílias desabrigadas decorrentes das fortes chuvas dos últimos dias. Quem puder doar alimentos não perecíveis, principalmente leite em caixa e biscoitos, roupas e colchonetes podem comparecer a Av. Alberto Braune, 111 – sobrado – no centro da cidade. A exemplo dos anos anteriores, a entidade sempre busca atender as pessoas que necessitam de ajudar nesses momentos de calamidade. Para o presidente da Acianf, Cláudio Verbicário, a Associação Comercial tem uma ótima articulação com a imprensa e com os seus 1.500 associados, sempre conseguindo ajudar a cidade, principalmente nesse período de fortes chuvas. “Estamos empenhados em apoiar no que for possível. O nosso Vice-Presidente de Turismo e Serviços, José Alexandre Almeida, está coordenando esta campanha e vamos solicitar também o apoio de vários empresários”, resume Verbicário.

José Alexandre está em contato permanente com a Secretária de Assistência Social do município, Maria José Vieira, e já mobilizou uma equipe de voluntários para em conjunto com a Secretaria dar atendimento às famílias mais necessitadas. “Estamos sempre a disposição da cidade para ajudar em momentos difíceis, sempre esperamos não ter que solicitar este tipo de apoio, mas em vista da situação que a cidade atravessa, temos um dever social de apoiar o próximo. Estou também mobilizando todo o setor de turismo para que contribuam também com as famílias”, explica José Alexandre.

Mais informações sobre outras formas de apoio basta entrar em contato com a Associação Comercial, pelos telefones (22) 2522.1145, 2533.0059 e 9225.7843

sexta-feira, dezembro 29, 2006

O quê e onde estudei

Sou médico atendendo no Rio de Janeiro e em Nova Friburgo (RJ) , trabalhando com Medicina Homeopática, Acupuntura Médica e Psicoterapia baseada na Biografia Humana.

Natural de São Gonçalo (RJ), nasci em 1965, estudei no Colégio Municipal Presidente Castello
Branco até a oitava série. Fiz o Ensino Médio (no meu tempo chamava-se Segundo Grau) em Niterói, no Instituto Gay-Lussac. Passei no Vestibular para Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde estudei até 1989.

Em 1987, ainda durante a Faculdade, entrei para a Escola de Psicanálise de Niterói (já destruída por sucessivas dissidências), onde participei do curso de formação de Psicanalistas por 2 anos.

Após graduar-me como médico, porém, decidi trabalhar como Pediatra (especialidade em que fiz internato), abandonando a prática de Psicanalista. Devo a meus estudos em Psicanálise a capacidade de ouvir os pacientes de forma a reconhecer o que necessita ser tratado em cada caso.

Em 1993 fui aprovado no Concurso para Título de Especialista em Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria, tornando-me Especialista em Pediatria.

Em 1990 comecei o Curso de Especialização em Homeopatia da Sociedade de Homeopatia do Estado do Rio de Janeiro (SOHERJ), mas, após 1 ano, resolvi mudar para o curso do Instituto Hahnemanniano do Brasil (IHB), a mais tradicional escola de Homeopatia do país, fundada há mais de 100 anos, onde concluí em 1993.

Em 1994 participei do Curso de Fitoterapia promovido pela AFHERJ (Associação de Farmacêuticos Homeopatas do Estado do Rio de Janeiro).

Em 1997 fui a Kathmandu, no Nepal, onde trabalhei voluntariamente no Himalayan Healing Centre, fundação assistencial mantida pelo Lama Gangchen Rimpoche. Nessa oportunidade, entrei em contato com diversos ramos da Medicina Oriental, como Medicina Ayurvedica, Medicina Tibetana, Yogaterapia, … e fiquei fascinado pelos métodos usados e resultados obtidos em muitos, milhões mesmo, de pacientes. Fiz diversos cursos lá e, desde então, estou destrinchando os detalhes nas dezenas de livros que comprei lá (não sou rico, os livros lá no Nepal e na Índia são baratos demais!), tiro as dúvidas (que não são poucas) com os meus professores de lá (Dr. Rajesh e Dr. Koiralla). Contudo, o que mais ficou desta experiência foi a forma de atender o paciente, como um ser humano integral, que sente dor, que sente emoções, que tem doenças orgânicas mas continua sendo uma pessoa que sofre.

Em 1998 comecei a Pós-Graduação em Acupuntura e Eletroacupuntura na ABACO (Academia Brasileira de Arte e Ciência Oriental), no Rio de Janeiro, tendo concluído em agosto de 2000.

Em 2000, participei de um curso de introdução à Antroposofia, promovido pelo GAIA – RJ (Grupo de Iniciativas Antroposóficas do Rio de Janeiro). Voltei em 2006 para fazer o curso de Fundamentação em Antroposofia.

A partir de 2000 comecei a participar do workshop do GEHSH (Grupo de Estudos Homeopáticos Samuel Hahnemann), no Rio de Janeiro, sob a coordenação do “Tio” Aldo Farias Dias, um Mestre no sentido mais amplo da palavra! E participei do workshop até dezembro de 2005. Sinto falta…

Em 2005, trouxemos o “Tio” Aldo para um Seminário em Nova Friburgo, e isso gerou um grupo, que batizamos de Hydrogenium, pelo desejo de ser um com o todo, e estamos reestudando os medicamentos homeopáticos pela Abordagem Sistêmica e fazendo patogenesias.

Desde 2005 participo do curso de Formação em Terapia Biográfica, promovido pelo Núcleo de Formação Biográfica de Minas Gerais, sob a coordenação das professoras Angélica Justo e Berenice von Rückert. Com este curso, retorno às origens de minha carreira, quando meu interesse principal era a Psicanálise.

Em 2006 iniciei uma outra especializalização em Plantas Medicinais, desta vez na UFLA (Universidade Federal de Lavras).

Sou professor de Acupuntura no curso de Pós-Graduação em Acupuntura do Instituto Flor de Lótus, em Nova Friburgo.

Meu trabalho, além de lecionar, é realizado basicamente em consultório médico, com Homeopatia, Acupuntura e Psicoterapia. No fundo, sou um Clínico Geral à moda antiga, que atende pacientes com as mais diferentes queixas, como alergias, doenças reumáticas, depressão, problemas emocionais, nenéns com cólica, refluxo, etc. Isto torna minha prática sempre dinâmica, porque eu nunca sei que tipo de queixa me aguarda quando eu chamar o próximo paciente, a única certeza é que eu vou atender uma PESSOA que sofre e quer solução para seus sofrimentos.

Endereços de Atendimento:

Rua Uruguaiana, 39, 3º andar - Centro - Rio de Janeiro - RJ

Tel: (21) 2224-3975

Praça Marcílio Dias, 56 - Centro - Nova Friburgo - RJ

Tel: (22) 25239342

E-mail: marceloguerra@gmail.com

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Atendimento no Rio de Janeiro

A partir de janeiro de 2007 estarei atendendo também no Rio de Janeiro, nas especialidades de Homeopatia, Acupuntura e Terapia Biográfica de Base Antroposófica. Em breve, mais informações.

terça-feira, outubro 17, 2006

TERAPIA EM GRUPO


A arte é uma manifestação pela qual o mais íntimo da pessoa se revela. Venha participar!
Formação de novos grupos para início em Novembro, na Clínica BioRitmo, com a participação do Prof. Rama Krishna de Jesus na parte artística. Encontros quinzenais. Máximo de 6 participantes por grupo. Informações e inscrições: (22)81124983.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Carta de Mia Couto ao Presidente Bush



Senhor Presidente:

Sou um escritor de uma nação pobre, um país que já esteve na vossa lista negra.

Milhões de moçambicanos desconheciam que mal vos tínhamos feito.

Éramos pequenos e pobres: que ameaça poderíamos constituir?

A nossa arma de destruição massiva estava, afinal, virada contra nós: era a fome e a miséria.

Alguns de nós estranharam o critério que levava a que o nosso nome fosse manchado enquanto outras nações beneficiavam da vossa simpatia.

Por exemplo, o nosso vizinho - a África do Sul do "apartheid" - violava de forma flagrante os direitos humanos.

Durante décadas fomos vítimas da agressão desse regime.

Mas o regime do "apartheid" mereceu da vossa parte uma atitude mais branda: o chamado "envolvimento positivo".

O ANC esteve também na lista negra como uma "organização terrorista!".

Estranho critério que levaria a que, anos mais tarde, os taliban e o próprio Bin Laden fossem chamadas de "freedom fighters" por estrategas norte-americanos.

Pois eu, pobre escritor de um pobre país, tive um sonho.

Como Martin Luther King certa vez sonhou que a América era uma nação de todos os americanos.

Pois sonhei que eu era não um homem mas um País.

Sim, um país que não conseguia dormir.

Porque vivia sobressaltado por terríveis factos.

E esse temor fez com que proclamasse uma exigência.

Uma exigência que tinha a ver consigo, Caro presidente.

E eu exigia que os Estados Unidos da América procedessem à eliminação do seu armamento de destruição massiva.

Por razão desses terríveis perigos eu exigia mais: que inspectores das Nações Unidas fossem enviados para o vosso país.

Que terríveis perigos me alertavam? Que receios o vosso país me inspiravam? Não eram produtos de sonho, infelizmente. Eram factos que alimentavam a minha desconfiança.

A lista é tão grande que escolherei apenas alguns:

- Os Estados Unidos foram a única nação do mundo que lançou bombas atómicas sobre outras nações;

- O seu país foi a única nação a ser condenada por "uso ilegítimo da força" pelo Tribunal Internacional de Justiça;

- Forças americanas treinaram e armaram fundamentalistas islâmicos mais extremistas (incluindo o terrorista Bin Laden) a pretexto de derrubarem os invasores russos no Afeganistão;

- O regime de Saddam Hussein foi apoiado pelos EUA enquanto praticava as piores atrocidades contra os iraquianos (incluindo o gaseamento dos curdos em 1998);

- Como tantos outros dirigentes legítimos, o africano Patrice Lumumba foi assassinado com ajuda da CIA. Depois de preso e torturado e baleado na cabeça o seu corpo foi dissolvido em ácido clorídrico;

- Como tantos outros fantoches, Mobutu Seseseko foi por vossos agentes conduzido ao poder e concedeu facilidades especiais à espionagem americana: o quartel-general da CIA no Zaire tornou-se o maior em África. A ditadura brutal deste zairense não mereceu nenhum reparo dos EUA até que ele deixou de ser conveniente, em 1992;

- A invasão de Timor Leste pelos militares indonésios mereceu o apoio dos EUA. Quando as atrocidades foram conhecidas, a resposta da Administração Clinton foi "o assunto é da responsabilidade do governo indonésio e não queremos retirar-lhe essa responsabilidade";

- O vosso país albergou criminosos como Emmanuel Constant um dos líderes mais sanguinários do Taiti cujas forças para-militares massacraram milhares de inocentes. Constant foi julgado à revelia e as novas autoridades solicitaram a sua extradição. O governo americano recusou o pedido;

- Em Agosto de 1998, a força aérea dos EUA bombardeou no Sudão uma fábrica de medicamentos, designada Al-Shifa. Um engano? Não, tratava-se de uma retaliação dos atentados bombistas de Nairobi e Dar-es-Saalam.

- Em Dezembro de 1987, os Estados Unidos foi o único país (junto com Israel) a votar contra uma moção de condenação ao terrorismo internacional.

Mesmo assim, a moção foi aprovada pelo voto de cento e cinquenta e três países.

- Em 1953, a CIA ajudou a preparar o golpe de Estado contra o Irão na sequência do qual milhares de comunistas do Tudeh foram massacrados.

- A lista de golpes preparados pela CIA é bem longa. Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA bombardearam: a China(1945-46), a Coreia e a China (1950-53), a Guatemala (1954), a Indonésia (1958), Cuba (1959-1961), a Guatemala (1960), o Congo(1964), o Peru(1965), o Laos (1961-1973), o Vietname (1961-1973), o Camboja(1969-1970), a Guatemala (1967-1973), Granada (1983),Líbano(1983-1984), a Líbia (1986), Salvador (1980), a Nicarágua(1980), o Irão (1987), o Panamá (1989), o Iraque (1990-2001), o Kuwait (1991), a Somália (1993), a Bósnia (1994-95), o Sudão (1998), o Afeganistão (1998), a Jugoslávia (1999) Acções de terrorismo biológico e químico foram postas em prática pelos EUA: o agente laranja e os desfolhantes no Vietname, o vírus da peste contra Cuba que durante anos devastou a produção suína naquele país. O Wall Street Journal publicou um relatório que anunciava que 500 000 crianças vietnamitas nasceram deformadas em consequência da guerra química das forças norte-americanas.

Acordei do pesadelo do sono para o pesadelo da realidade. A guerra que o Senhor Presidente teimou em iniciar poderá libertar-nos de um ditador. Mas ficaremos todos mais pobres. Enfrentaremos maiores dificuldades nas nossas já precárias economias e teremos menos esperança num futuro governado pela razão e pela moral. Teremos menos fé na força reguladora das Nações Unidas e das convenções do direito internacional. Estaremos, enfim, mais sós e mais desamparados.

Senhor Presidente:

O Iraque não é Saddam. São 22 milhões de mães e filhos, e de homens que trabalham e sonham como fazem os comuns norte-americanos. Preocupamo-nos com os males do regime de Saddam Hussein que são reais. Mas esquece-se oshorrores da primeira guerra do Golfo em que perderam a vida mais de150 000 homens. O que está destruindo massivamente os iraquianos não são as armas de Saddam. São as sanções que conduziram a uma situação humanitária tão grave que dois coordenadores para ajuda das Nações Unidas (Dennis Hallidaye Hans Von Sponeck) pediram a demissão em protesto contra essas mesmassanções. Explicando a razão da sua renúncia, Halliday escreveu:
"Estamos destruindo toda uma sociedade. É tão simples e terrível como isso. E isso é ilegal e imoral". Esse sistema de sanções já levou à morte meio milhão de crianças iraquianas.

Mas a guerra contra o Iraque não está para começar. Já começou há muito tempo. Nas zonas de restrição aérea a Norte e Sul do Iraque acontecem continuamente bombardeamentos desde há 12 anos. Acredita-se que 500 iraquianos foram mortos desde 1999. O bombardeamento incluiu o uso massivo de urânio empobrecido (300 toneladas, ou seja 30 vezes mais do que o usado no Kosovo). Livrar-nos-emos de Saddam. Mas continuaremos prisioneiros da lógica da guerra e da arrogância. Não quero que os meus filhos (nem os seus) vivam dominados pelo fantasma do medo. E que pensem que, para viverem tranquilos, precisam de construir uma fortaleza. E que só estarão seguros quando se tiver que gastar fortunas em armas. Como o seu país que despende 270 000 000 000 000 dólares (duzentos e setenta biliões de dólares) por ano para manter o arsenal de guerra. O senhor bem sabe o que essa soma poderia ajudar a mudar o destino miserável de milhões de seres.

O bispo americano Monsenhor Robert Bowan escreveu-lhe no final do ano passado uma carta intitulada "Porque é que o mundo odeia os EUA ?" O bispo da Igreja Católica da Florida é um ex - combatente na guerra do Vietname.

Ele sabe o que é a guerra e escreveu: "O senhor reclama que os EUA são alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Que absurdo, Sr. Presidente ! Somo salvos dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas. Em quantos países agentes do nosso governo depuseram líderes popularmente eleitos substituindo-os por ditadores militares, fantoches desejosos de vender o seu próprio povo às corporações norte-americanas multinacionais ?

E o bispo conclui:

O povo do Canadá desfruta de democracia, de liberdade e de direitos humanos, assim como o povo da Noruega e da Suécia.
Alguma vez o senhor ouviu falar de ataques a embaixadas canadianas, norueguesas ou suecas?
Nós somos odiados não porque praticamos a democracia, a liberdade ou os direitos humanos. Somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas aos povos dos países do Terceiro Mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas multinacionais."

Senhor Presidente:

Sua Excelência parece não necessitar que uma instituição internacional legitime o seu direito de intervenção militar. Ao menos que possamos nós encontrar moral e verdade na sua argumentação. Eu e mais milhões de cidadãos não ficamos convencidos quando o vimos justificar a guerra. Nós preferíamos vê-lo assinar a Convenção de Kyoto para conter o efeito de estufa. Preferíamos tê-lo visto em Durban na Conferência Internacional contra o Racismo. Não se preocupe, senhor Presidente. A nós, nações pequenas deste mundo, não nos passa pela cabeça exigir a vossa demissão por causa desse apoio que as vossas sucessivas administrações concederam apoio a não menos sucessivos ditadores. A maior ameaça que pesa sobre a América não são armamentos de outros. É o universo de mentira que se criou em redor dos vossos cidadãos. O perigo não é o regime de Saddam, nem nenhum outro regime. Mas o sentimento de superioridade que parece animar o seu governo. O seu inimigo principal não está fora. Está dentro dos EUA.
Essa guerra só pode ser vencida pelos próprios americanos. Eu gostaria de poder festejar o derrube de Saddam Hussein. E festejar com todos os americanos. Mas sem hipocrisia, sem argumentação e consumo de diminuídos mentais. Porque nós, caro Presidente Bush, nós, os povos dos países pequenos, temos uma arma de construção massiva: a capacidade de pensar.

Quem é Mia Couto?


Mia Couto
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Mia Couto (1955- ) é o nome literário de um dos escritores moçambicanos mais conhecidos no estrangeiro. António Emílio Leite Couto ganhou o nome Mia do irmãozinho que não conseguia dizer "Emílio". Segundo o próprio autor a utilização deste apelido tem a ver com sua apaixão pelos gatos e desde pequeno dizia a sua família que queria ser um deles.

Nasceu na Beira, a segunda cidade de Moçambique, em 1955. Ele disse uma vez que não tinha uma "terra-mãe" - tinha uma "água-mãe", referindo-se à tendência daquela cidade baixa e localizada à beira do Oceano Índico para ficar inundada...

Iniciou o curso de Medicina ao mesmo tempo que se iniciava no jornalismo e abandonou aquele curso para se dedicar a tempo inteiro à segunda ocupação. Foi director da Agência de Informação de Moçambique e mais tarde tirou o curso de Biologia, profissão que exerce até agora.
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Biobibliografia

Estreou-se no prelo com um livro de Poesia - Raiz de Orvalho, publicado em 1983. Mas já antes tinha sido antologiado por outro dos grandes poetas moçambicanos, Orlando Mendes (outro biólogo), em 1980, numa edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco, resultante duma palestra na Organização Nacional dos Jornalistas (actual Sindicato), intitulada "Sobre Literatura Moçambicana".

Em 1999, a Editorial Caminho (que publica em Portugal as obras de Mia) relançou Raiz de Orvalho e outros poemas que, em 2001 teve sua 3ª edição.

Depois, estreou-se nos contos e numa nova maneira de falar - ou "falinventar" - português, que continua a ser o seu "ex-libris". Nesta categoria de contos publicou:

* Vozes Anoitecidas (1ª ed. da AEMO, em 1986; 1ª ed. Caminho, em 1987; 8ª ed. em 2006; Grande Prémio da Ficção Narrativa em 1990, ex aequo)
* Cada Homem é uma Raça (1ª ed. da Caminho em 1990; 9ª ed., 2005)
* Estórias Abensonhadas (1ª ed. da Caminho, em 1994; 7ª ed. em 2003)
* Contos do Nascer da Terra (1ª ed. da Caminho, em 1997; 5ª ed. em 2002)
* Na Berma de Nenhuma Estrada (1ª ed. da Caminho em 1999; 3ª ed. em 2003)
* O Fio das Missangas (1ª ed. da Caminho em 2003; 4ª ed. em 2004)

Para além disso, publicou em livros, algumas das suas crónicas, que continuam a ser coluna num dos semanários publicados em Maputo, capital de Moçambique:

* Cronicando (1ª ed. em 1988; 1ª ed. da Caminho em 1991; 7ª ed. em 2003; Prémio Nacional de Jornalismo Areosa Pena, em 1989)
* O País do Queixa Andar (2003)
* Pensatempos. Textos de Opinião (1ª e 2ª ed. da Caminho em 2005)

E, naturalmente, não deixou de lado a novela, tendo publicado:

* Terra Sonâmbula (1ª ed. da Caminho em 1992; 8ª ed. em 2004; Prémio Nacional de Ficção da AEMO em 1995; considerado por um juri na Feira Internacional do Zimbabwe, um dos doze melhores livros africanos do século XX)
* A Varanda do Frangipani (1ª ed. da Caminho em 1996; 7ª ed. em 2003)
* Mar Me Quer (1ª ed. Parque EXPO/NJIRA em 1998, como contribuição para o pavilhão de Moçambique na Exposição Mundial EXPO '98 em Lisboa; 1ª ed. da Caminho em 2000; 8ª ed. em 2004)
* Vinte e Zinco (1ª ed. da Caminho em 1999; 2ª ed. em 2004)
* O Último Voo do Flamingo (1ª ed. da Caminho em 2000; 4ª ed. em 2004; Prémio Mário António de Ficção)
* O Gato e o Escuro, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Caminho em 2001; 2ª ed. em 2003)
* Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (1ª ed. da Caminho em 2002; 3ª ed. em 2004; rodado em filme pelo português José Carlos Oliveira)
* A Chuva Pasmada, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Njira em 2004)
* O Outro Pé da Sereia (1ª ed. da Caminho em 2006)

Muitos destes livros estão traduzidos em alemão, francês, inglês e italiano.

Em 1999, Mia Couto recebeu o Prémio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Spice Girls

Excelente!!!!!!
Palestra sobre motivação

Você se sente desmotivado? Esta palestra mostra que não devemos desanimar mesmo diante das maiores dificuldades. Demora um pouco para carregar o video, mas é ótima!

sexta-feira, agosto 18, 2006

Propostas para melhorar o trânsito de Nova Friburgo

O acidente com um caminhão ocorrido segunda-feira, 14, na Avenida Rui Barbosa, e que provocou um grande engarrafamento entre Conselheiro Paulino e o Centro, continua repercutindo devido aos transtornos causados aos motoristas e à população em geral. A reclamação maior dos motoristas era a falta de opções para contornar o local do acidente, um trecho da RJ-116 que tem grande fluxo de veículos a qualquer hora do dia. Essa avenida é um verdadeiro funil, para onde converge todo o trânsito da direção Duas Pedras-Centro e com qualquer problema no trânsito as conseqüências são enormes.
Mas deve-se frisar que problemas no trânsito em Nova Friburgo não se resumem ao eixo rodoviário urbano. Visando solucionar ou minorar esses problemas, o vice-presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Nova Friburgo (Aeanf), arquiteto Sérgio Seixas, veio ao jornal informar que entregou sugestões por escrito ao diretor da Autran, Juares Alves, durante a edição do programa Hora Técnica transmitido pela TV Zoom (sistema a cabo RCATV, canal 14) no mês de abril. Além do apresentador, engenheiro Zury Maurer, também participou daquele programa o diretor operacional da Autran, Arnaldo Caputo.
O documento representa a opinião da Aeanf e cita que as soluções para os problemas de trânsito em Nova Friburgo devem ser precedidas de estudos técnicos, levando em consideração a possibilidade da construção da rodovia de contorno, além de outras soluções definitivas a serem executadas pelo governo do estado, em face da passagem da RJ-116 na zona urbana.
Mas até que essas soluções sejam implementadas, torna-se de suma importância que o poder municipal tome algumas medidas que evitem as constantes retenções que, além de causar prejuízos financeiros, colocam em risco a segurança da comunidade.
No documento é citado que se considerarmos as localizações das instituições de saúde, emergência e segurança, conclui-se que todas dependem da Avenida Rui Barbosa. São os hospitais São Lucas, Unimed, Day Hospital, Novacór e Raul Sertã; Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e a Delegacia Regional de Polícia Civil.
AS MEDIDAS - No documento apresentado por Sérgio Seixas a Juares Alves foram elencandas as providências que poderiam ser consideradas pela Autran em seus estudos, viabilizando aqueles que não dependem de maiores gastos. São elas:
1 – Chegada do Amparo: projetar acesso à Avenida Costa e Silva na direção da divisa entre o Sesc e a PM;
2 – Aumentar a largura da Rua Ramalho Ortigão, melhorando a curvatura da esquina em terrenos da PM;
3 – Criar a entrada para emergência no HMRS pela Rua General Osório e saída exclusiva para ambulâncias do Corpo de Bombeiros pela Rua Santa Izabel;
4 – Proporcionar condições para estacionamento do Sesc em terrenos pertencentes à Rede Ferroviária Federal (desapropriado pela Prefeitura para a construção de uma escola);
5 – Manter a Rua Prudente de Moraes com duas mãos, bifurcando ao chegar a Duas Pedras;
6 – Instituir mão única na Rua Henrique Zamith no sentido entre a ponte e a General Osório;
7 – Instituir mão única na Rua General Osório no sentido entre Henrique Zamith e Rua Sete de Setembro (e não mão dupla como citado na reportagem de terça-feira, 15);
8 – Inverter mãos de direção nas ruas Carlos Magno do Valle e José Antônio Alves (Colégio Nossa Senhora das Mercês);
9 – Inverter mão de direção nos terrenos do Colégio Anchieta;
10 – Manter a mão de direção da General Osório no sentido Praça do Suspiro até a Rua Aristão Pinto;
11 – Manter mão dupla de direção na Rua General Osório entre Henrique Zamith e Prudente de Moraes;
12 – Projetar novo trevo para Duas Pedras, com a possibilidade de usar, entre outras, a área de estacionamento da rodoviária norte;
13 – No eixo rodoviário criar recuos para paradas de ônibus desde Duas Pedras até o Paissandu;
14 – Projetar terceira pista ao longo das avenidas que mageiam o Rio Bengalas;
15 – Aproveitando as fundações da antiga ponte de ferro criar acesso para carros de emergência atingirem a estrada de acesso a Amparo, na Haga;
16 – Em função da inversão de mão na General Osório será necessário criar linha circular de microônibus, retornando pela Henrique Zamith;
17 – Ligar a Rua Augusto Spinelli à Carlos Éboli;
18 – Inverter a mão das ruas Fernando Bizzotto e Oliveira Botelho, que com a modificação já executada na Avenida Ariosto Bento de Mello daria mais equilíbrio, tanto na Avenida Alberto Braune quanto na Prefeito José Eugênio Müller e Comte Bittencourt;
19 – Projetar acesso a Olaria para os veículos provenientes do viaduto, seguindo pela Rua Padre Sabóia de Medeiros até atingirem a Avenida Campesina Friburguense e dobrando na Comandante Ribeiro de Barros;
20 – O acesso à Rua Gonçalves Dias (cemitério), para quem vem da Avenida Alberto Braune deverá ser feito pela Rua Comandante Ribeiro de Barros, Avenida Campesina e Rua Leuenroth;
21 – Inverter a mão de direção da Rua Pastor Meyer, de modo a criar saída juntamente com a Rua Trajano de Almeida, no sinal próximo à Igreja Luterana;
22 – Criar pista subindo a Rua Nilo Peçanha (estacionamento da Arp) e saindo próximo ao viaduto em terrenos do Sanatório Naval;
23 – Fechar o acesso do Paissandu à Rua Leuenroth;
24 – Na Avenida Euterpe Friburguense as vagas perpendiculares foram previstas no lado direito, portanto, em frente ao Fórum as vagas da OAB deverão ir para aquele lado, o que possibilitará voltar a largura da calçada para dois metros e ainda manter, como no projeto inicial, um recuo para estacionamento longitudinal. Para o ponto de frete há lugar na margem do Bengalas próximo à Haga;
25 – Criar estacionamento rotativo no Centro;
26 – Isentar de ISS os estacionamentos rotativos particulares;
27 – Incentivar a construção de edifícios garagem em locais de interesse da Autran;
28 – Incentivar o uso da Rua Prefeito José Eugênio Müller, que só deverá ter estacionamento do lado esquerdo;
29 – Posicionar sinal luminoso na esquina de Eugênio Müller com Dante Laginestra;
30 – Colocar luminoso sugerindo vias alternativas:
a) Na Ypu, para Santa Elisa;
b) Na Timken (antiga Torrington), para Vale dos Pinheiros;
31 – Fazer a interligação entre a Rua José Tessarollo Santos e Alameda Eduardo Guinle (Vale dos Pinheiros);
32 – Projetar ligações entre Olaria-Ponte da Saudade e Cascatinha–Theodoro de Oliveira;
33 – Melhorar traçados da Avenida Nossa Senhora do Amparo, Estrada do Girassol e Rua Visconde de Itaboraí, entre outras.
Sérgio Seixas crê que, com essas medidas, acidentes como o de segunda-feira não teriam conseqüências tão grandes, não transtornando ou minimizando os problemas para os motoristas friburguenses.

CorreioWeb - Últimas Notícias

Heloísa Helena está se tratando com acupuntura!

sexta-feira, agosto 11, 2006

Eu com 4 anos


Eu com 4 anos
Originally uploaded by Marcelo Guerra.
Adorava subir na goiabeira!

Criadores de Possibilidades



Agenda
Programa Criadores de Possibilidades. Conheça e participe!

Globo Online - Polícia desmantela duas quadrilhas de traficantes de classe média em Niterói

Globo Online - Polícia desmantela duas quadrilhas de traficantes de classe média em NiteróiEsse é o tipo de boa notícia. Mostra o que todos já sabiam, que traficante não existe só nas favelas.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Deu na Folha de São Paulo...

RUBEM ALVES

"Velhos do Brasil, uni-vos!"
Uma das qualidades fundamentais do presidente da República terá de
ser o seu respeito pelos velhos

TENHO MUITOS amigos que se apaixonaram por aquelas duas letrinhas,
PT, criança promissora quando nasceu, quem sabe um Messias. Para não
magoá-los impus-me um "silêncio obsequioso", por medo de que minhas
idéias pudessem abalar nossa amizade. Mas, por vezes, o "silêncio
dos intelectuais" é o mesmo que falta de integridade.
Fatos políticos trouxeram da minha memória uma fábula escrita por
George Orwell, "A revolução dos bichos". Vou recordá-la. Os bichos,
liderados pelos porcos, fizeram uma revolução na fazenda em que
viviam para se livrar da opressão do fazendeiro que os explorava. Os
porcos tinham razões de sobra para serem os líderes da revolução.
Eram os animais mais sacrificados. Eram engordados para se
transformarem em lingüiça, torresmo, toucinho, lombo, leitoa assada,
pernil assado... Aconteceu, entretanto, que no decorrer do processo
revolucionário uma importante mudança aconteceu: os porcos começaram
a ver que o fazendeiro e seus empregados não eram tão ruins quanto
pareciam. Na verdade, havia interesses comuns que permitiam que com
eles se fizessem proveitosas alianças. A última cena do livrinho é
assim: a bicharada, do lado de fora, olha através da janela da casa
do fazendeiro. Lá dentro acontecia uma festa para celebrar um novo
pacto político de cooperação entre fazendeiros e porcos. E os
bichos, perplexos, olhavam para o fazendeiro, olhavam para os
porcos, e não conseguiam saber quem era quem: o fazendeiro tinha
focinho de porco e os porcos fumavam charutos como o fazendeiro...
Essa história me veio à mente quando vi uma foto em que o presidente
Lula, sorridente, abraçava o sr. Orestes Quércia. Chegou-me agora
uma informação assombrosa: a de que o PT apóia o sr. Newton Cardozo
como candidato ao senado por Minas. Aí fiquei como os bichos, sem
saber quem era quem...
Mas agora fui diretamente atingido pelo presidente. Comentando o
apoio de Itamar Franco ao sr. Geraldo Alckmin ele zombou do
acontecido sob o argumento de que Itamar Franco, por ser um velho de
76 anos, não merece ser levado a sério. Não merece ser levado a
sério não por incompetência ou corrupção mas por ser um velho de 76
anos. Então, todos os velhos não merecem ser levados a sério. Os
velhos pertencem ao grande grupo dos excluídos!
Quem diria! Há cerca de algumas semanas Lula foi recebido com honras
pelos idosos que participavam de um "Encontro Nacional de Terceira
Idade", em Brasília. E ele está sorridente... Velhos podem votar...
Acontece que sou velho. Tenho 72 anos. Excluído do círculo dos
inteligentes pela minha idade, o que penso e escrevo não merece ser
levado em consideração. A opinião do Lula sobre os velhos, é ela
produto de ignorância? Tudo indica que sim. Para afirmar o que
afirmou ele teria de ter ignorado o Millôr, a Cora Coralina, D.
Felix de Casaldáliga, Oscar Niemeyer, Jorge Amado, Dorival Caymmi, a
Mãe Menininha de Gantois... Ou terá sido por preconceito?
Ignorância ou preconceito, não importa. Para mim, uma das qualidades
fundamentais do presidente da República terá de ser o respeito pelos
velhos. Os velhos têm a lucidez daqueles que nada têm a perder
porque já estão vivendo no tempo de morrer. Por isso lanço aqui o
meu grito: "Velhos do Brasil! Uni-vos!"

segunda-feira, agosto 07, 2006

Globo Online - Ataques deixam quatro feridos em SP

Globo Online - Ataques deixam quatro feridos em SP
Mais uma onda de atentados terroristas em São Paulo. Eu não consigo entender o porquê dos governos federa e estadual não se unirem para enfrentar este problema. Não é só oportunismo eleitoral dos dois lados, pois ambos têm produtores de discursos e press releases muito eficientes para colorir a situação de acordo com o freguês. O que não pode é a população ficar exposta deste jeito!

quarta-feira, maio 31, 2006

Riya - Photo Search

Riya - Photo SearchUma câmera digital na mão e milhares de fotos no HD: esse é o lema atual! E aí você quer achar uma foto da sua filha, e tem que procurar em tantas pastas do seu HD, que você desiste. Daí surgem os programas que organizam fotos, como o Picasa, que é grátis e eu adoro (apesar do Paulão achar uma merda...). Mas este programa, o Riya, se propõe a reconhecer o rosto dos seus "personagens" favoritos, e localizá-los no disco mais rapidamente. E é grátis!!!!!

terça-feira, maio 30, 2006

quarta-feira, maio 17, 2006

Curso do GAIA


Confirmamos o nosso encontro neste próximo fim de semana, dias 20 e 21,
cujos temas serão:

Turma de Fundamentação: Os 4 Reinos da Natureza e Quadrimembração (Corpo
Físico,
Etérico, Astral, Eu)
docente: Luiz Alberto Nascimento

Turma de Pedagogia: Doenças Infantis e Alimentação
docente: Rita Rhame

Arte: Canto
docente: Marília

Aproveitamos para reafirmar que ainda é possível a adesão de novos colegas,
portanto, agradecemos a colaboração de vocês na divulgação.

Abraços e até lá...
Neide
Visite o site do GAIA.

quinta-feira, maio 11, 2006

à sombra

  Posted by Picasa

quarta-feira, maio 10, 2006

Imponente!

  Posted by Picasa
Foto feita com Câmera Digital Canon Powershot G5, em Passos (MG).

quarta-feira, maio 03, 2006

Globo Online - Tremor de grau 8 gera alerta de tsunami no Pacífico

Globo Online - Tremor de grau 8 gera alerta de tsunami no Pacífico
Devemos pedir a Deus para que não se repita a tragédia do tsunami.

Skypecasts

Skypecasts
O Skype lançou um serviço novo, que você pode organizar conferências de voz com até 100 pessoas, com hora marcada, e participar de grupos já formados. Excelente!

terça-feira, maio 02, 2006

Pôr do sol em Jurujuba, Niterói (RJ)

 
Foto feita com câmera Minolta 8000i, de filme, foi usado filme Agfa, e escaneada por equipamento Noritsu. Posted by Picasa

Greve de fome ou dieta do cinismo?

JC ONLINEO ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, passou nesta segunda-feira pelo primeiro exame médico após tomar a decisão de entrar em greve de fome nesse domingo.
Pré-candidato do PMDB à Presidência, Garotinho disse que a greve de fome é protesto contra a "campanha mentirosa e sórdida" promovida pela mídia para desconstruir sua imagem.

Garotinho afirma que sofre perseguição da mídia, do sistema financeiro e do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Disse ainda que suas "posições cristãs e éticas" vêm sendo ridicularizadas. Ele é evangélico.

sábado, abril 29, 2006

Movimento Livro Livre


Sabe aquele livro que está pegando poeira na sua estante e você nunca mais vai ler? Deixe-o em algum lugar público para que alguém o encontre e leia.Movimento Livro Livre

quinta-feira, abril 20, 2006

HOMEOPATIA COMO ARTE

HOMEOPATIA COMO ARTE: "Dra. Maria Leonora Veras de Mello"
Excelente artigo da minha amiga Dra. Maria Leonora Veras de Mello, veterinária homeopata.

The Retro Way : My Other Photography

The Retro Way : My Other Photography
Excelente página de fotografias! O fotógrafo se chama Veijo Vilva e usa uma câmera Canon digital supermoderna, com lentes antigas, de foco manual. O resultado é impressionante!

Polícia mata ao menos três manifestantes em protestos no Nepal



Polícia mata ao menos três manifestantes em protestos no Nepal

E não adianta falar isso para todas as mães

Cotonete no ouvido faz mal à saúde

é um "santo" mesmo...

M. Jackson, Marilyn, Gil: novos "santos" - Terra - cultura

M. Jackson, Marilyn, Gil: novos "santos" - Terra - cultura
Muito legal essa série de "santinhos"!

quarta-feira, abril 19, 2006

Em 1997 a vida era assim em Kathmandu...

  Posted by Picasa

Repressão a novos protestos deixa três mortos no Nepal

Folha Online - BBC - Repressão a novos protestos deixa três mortos no Nepal - 19/04/2006

Estive no Nepal em 1997, e era um local de muita paz, mas veio este ditador sedento de poder e armou um golpe na família para assumir o trono, e destruir este país maravilhoso.

Fotografando em Monnerat

  Posted by Picasa

Fotografando em Monnerat

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Parabéns ao prefeito de Niterói pela iniciativa!

Niterói quer usar mão-de-obra de presos em projetos municipais

Os detentos da Penitenciária Vieira Ferreira Neto poderão passar a trabalhar para a Prefeitura de Niterói, segundo acordo firmado nesta quarta-feira entre o Estado do Rio e a administração municipal.

Entre as tarefas para as quais os presos serão inicialmente designados estão a reforma de vassouras da Clin (Companhia de Limpeza de Niterói), reforma de mobiliário escolar e hospitalar, confecção de roupa hospitalar e reciclagem de papel.

Um dia de condenação será retirado da pena do detento empregado a cada três dias de trabalho. Os presos também receberão salários.

Romaria

Composição: Renato Teixeira

É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido em pensamento
Sobre meu cavalo
É de laço e de nó
De jibeira ou jiló
Dessa vida
Cumprida à sol
Sou caipira pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
O meu pai foi peão
Minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
À custa de aventuras
Descasei, e joguei
Investi, desisti
Se há sorte, eu não sei, nunca vi
Sou caipira Pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
Me disseram porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir em
Romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
Só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar
Sou caipira Pirapora nossa
Senhora de aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida

Dieta Mediterrânea reduz risco de Alzheimer, diz estudo


O estudo teve como base 2.258 idosos mentalmente saudáveis na cidade de Nova York

WASHINGTON - Uma dieta rica em frutas, vegetais, legumes, cereais, azeite de oliva, um pouco de peixe e de álcool, mas muito pouco de carne vermelha e laticínios - a chamada Dieta Mediterrânea - reduz o risco de Alzheimer nos idosos. Estudo com essa conclusão está publicado na edição de abril dos Annals of Neurology, e também online.

Especialistas teorizam que a dieta tem um papel no desenvolvimento do mal de Alzheimer, mas os dados correlacionando alimentos individuais à doença vinham se revelando contraditórios. Por isso, a equipe do neurologista Nikolaos Scarmeas, da Universidade de Columbia, decidiu investigar padrões de dieta, em vez de comidas ou pratos específicos. O estudo teve como base 2.258 idosos mentalmente saudáveis na cidade de Nova York.

Os voluntários foram entrevistados e submetidos a análise de histórico médico. Todos foram reavaliados uma vez a cada 18 meses, por um período médio de 4 anos. Os pesquisadores também recolheram dados sobre a dieta de cada participante, criando um placar de aderência à Dieta Mediterrânea, com notas de 0 a 9.

Durante o curso do estudo, 262 membros da população sob análise foram diagnosticados com o mal de Alzheimer. "Alta aderência à Dieta Mediterrânea foi associada a um risco significativamente reduzido de desenvolver o mal de Alzheimer", informam os autores do trabalho. Para cada ponto a mais na nota de aderência, o risco de Alzheimer caía entre 9% e 10%.

Apesar do resgate de ministros da Bolívia, população fecha fronteira :: Estadao.com.br

Estamos virando imperialistas!
Apesar do resgate de ministros da Bolívia, população fecha fronteira :: Estadao.com.br

Itamar,Garotinho e peemedebistas discutem candidatura :: Estadao.com.br

Itamar,Garotinho e peemedebistas discutem candidatura :: Estadao.com.br

Vivência em Monnerat em maio - Novos Rumos


De 4 a 7 de maio de 2006, acontecerá em Monnerat (RJ), uma pequena cidade próxima a Nova Fribrugo, uma Vivência em que, através de arte, terapia em grupo, acupuntura, contos de fadas, muito verde e ar puro, buscaremos novos rumos para problemas antigos. Mais informações por e-mail marceloguerra@gmail.com ou pelo telefone (22)2523-2123.
Para saber mais, veja meu outro blog.

Receita de Bolo de Gengibre


Por ter visitado o Nepal, ser meio alternativo, recebo receitas bem exóticas de pacientes, de amigos, de amigos da internet, etc. Esta é uma delícia, porque o bolo fica um pouco picante.

150 gr de manteiga sem sal (ou margarina)
2 xic açucar mascavo
1 col de sobremesa de canela
2 xic de agua
2 1/2 de farinha de trigo
1 xic de trigo integral
1 col sopa de trigo integral
1 colher de sopa de fermento em po
150 gr de gengibre ralado
2 xic de passas (colocar de molho)
OBS.: Colocar o gengibre e as passas no final.

Bom apetite! Se você tiver uma receita legal, me mande para divulgarmos aqui no Mexidinho.

quinta-feira, abril 13, 2006

Já tenho em quem votar!


Para mim, Itamar Franco foi o único presidente que conheci que olhou para os problemas sociais. Todos os outros cegaram ou ensurdeceram pela ênfase na economia, ignorando os apelos sociais. Gostei dessa notícia! É curioso como a imprensa tem uma certa implicância com Itamar, talvez por ele não ser um intelectual ou um líder sindical, ser apenas um sujeito comum. E isso eu admiro na biografia dele.

Itamar Franco anuncia candidatura
13/04 - 08:06



SÃO PAULO, 13 de abril de 2006 - O ex-presidente Itamar Franco disse ontem que aceitou o apelo do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia e aceitou disputar a candidatura à Presidência da República pelo PMDB. O anúncio foi feito em Juiz de Fora (MG), ao lado do ex-governador do Rio Anthony Garotinho, também pré-candidato peemedebista e primeiro colocado na consulta realizado pelo partido entre os delegados, em março.
Itamar se encontrou com Garotinho para discutir o lançamento de candidatura própria do PMDB à Presidência. Garotinho fez um pacto de não agressão com o ex-presidente, para que não troquem ofensas até as prévias do partido, marcadas para julho.

Na semana passada, Quércia lançou a possibilidade de Itamar sair na disputa pelo Planalto com Garotinho como vice. Antes de se reunir com Garotinho, Itamar esteve com o ex-ministro José Dirceu. Mas ele nega que tenha falado sobre sua pré-candidatura com o deputado cassado.

Pela manhã, entretanto, Garotinho ignorou os 50% de rejeição apontados pela última pesquisa CNT/Sensus e reiterou a "firme intenção" de disputar o pleito e rechaçou a hipótese de o partido caminhar para uma aliança com o PSDB. Foi um recado a Itamar Franco, a quem visitaria horas depois, para tentar demovê-lo da idéia de concorrer à candidatura presidencial.

Para fortalecer sua argumentação, garantiu que levava para o encontro em Juiz de Fora (MG) o apoio certo do PMDB em seis estados, angariado nos últimos dois dias. Segundo Garotinho, Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Sergipe já endossariam sua candidatura.

Ladeado por assessores, Garotinho lançou-se aos gabinetes de parlamentares da legenda para pedir apoio à sua candidatura. Mesmo com uma postura mais diplomática, diferente da metralhadora verbal em que costuma se transformar quando fala de opositores, não deixou de distribuir alfinetadas.

O senador Tasso Jereissati - segundo o qual uma eventual candidatura independente do PMDB implodiria a metade das coligações estaduais do PSDB e todas as do PMDB - foi alvo da ironia de Garotinho. "Me surpreende esse súbito conhecimento do Jereissati sobre os assuntos do PMDB. Ele entende de tucanos; de PMDB entendo eu e o (Michel) Temer", comentou o pré-candidato.

No Congresso, a ala do PMDB que apóia Garotinho continua a mostrar disposição de brigar, mesmo depois de perder a batalha pela indicação do deputado Waldemir Moka (PMDB-MS) para líder da bancada. Ontem, o tumulto causado pelos "garotistas" mostrou bem que eles não darão trégua à ala governista do PMDB. A manifestação maior de que as trincheiras ainda não se desfizeram acabou resultado em confusão dentro do partido na indicação das presidências de comissões permanentes.

quarta-feira, abril 12, 2006

O Evangelho Segundo Judas



Será que ainda é válido malhar o Judas? Esta descoberta do Evangelho de Judas joga luz sobre este episódio que inaugura o Cristianismo.

O que levou o último dos apóstolos a trair Jesus? A resposta pode estar em manuscritos inéditos, que trazem a versão do traidor

IVAN PADILLA E MARCELO MUSA CAVALLARI (Época)

Para ele, nunca houve perdão. Há quase 2 mil anos, ele vem sendo impiedosamente castigado. Em dezenas de países, a cada sábado de aleluia, Judas Iscariotes, encarnado num boneco grotesco, é vítima de espancamento em praça pública. Além de ter entregado aos carrascos seu mestre, Jesus, ele paga pelo que de pior tiver sido feito naquele ano. Assume as feições do político corrupto, do tirano estrangeiro, do delator, do jogador que fez o time perder. Judas virou até substantivo. Significa "traidor" em dicionários de português, espanhol, francês, inglês, alemão e italiano. Nem mesmo do todo-misericordioso ele ouviu uma palavra de misericórdia. "Ai daquele por quem o Filho do Homem será entregue", disse o próprio Jesus segundo o Evangelho de São Marcos.

Pela altura da Páscoa deste ano, no entanto, finalmente será conhecida a versão do criminoso. Pela primeira vez será publicado o texto de um manuscrito inédito, cuja autoria é atribuída ao próprio Judas. Identificado como o Evangelho de Judas, o texto integra a série de evangelhos apócrifos, cuja autenticidade não é reconhecida pela Igreja. Sua existência já era cogitada desde que Santo Irineu de Lyon, no século II, citou-o e condenou-o. Trata-se, portanto, de uma revelação arqueológica de valor ä incalculável. Depois de 1.600 anos, finalmente será lido um texto antes inacessível, capaz de lançar luzes sobre os primórdios do cristianismo, com uma visão completamente original da traição que teria levado Jesus à cruz.

De acordo com relatos de especialistas que tiveram acesso ao manuscrito, Judas afirma, em sua versão da história, que não traiu Jesus. A delação aos sacerdotes judeus teria sido, segundo o manuscrito, um desígnio divino para que o Filho de Deus sofresse o martírio e salvasse os homens. Judas também afirma, de acordo com os relatos, que não se enforcou depois, arrasado pela culpa. Teria sido perdoado por Jesus e orientado a se retirar para fazer exercícios espirituais no deserto. O que mais os manuscritos revelam não se sabe. Por enquanto, eles são mantidos em absoluto sigilo nas mãos da Fundação Maecenas, da Basiléia, na Suíça, enquanto são traduzidos do egípcio antigo (o copta) para o inglês, o francês e o alemão. Na verdade, os manuscritos nas mãos dos tradutores seriam uma versão em copta feita no século IV ou V do original grego do século II, possivelmente o texto mencionado por Santo Irineu.

A ÚLTIMA CEIA No célebre afresco de Leonardo Da Vinci, um saleiro aparece derrubado na mesa em frente a Judas. Trata-se de uma referência à superstição de que jogar sal é um sinal de má sorte. Abaixo, um ensaio para a obra

Como o Evangelho de Judas é muito posterior ao tempo em que os eventos teriam ocorrido, não se pode nem mesmo tentar buscar algo nele sobre a figura histórica de Judas. Hoje, o que se sabe sobre Judas está nos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João e no Ato dos Apóstolos, um breve relato dos primeiros tempos da Igreja. É bem pouca coisa. Filho de Simão Iscariotes, Judas é sempre o último da lista dos 12 apóstolos citados pelos Evangelhos. A traição é situada no momento em que Jesus falava a seus discípulos no Getsêmani, ou Jardim das Oliveiras, fora dos muros de Jerusalém. No relato dos evangelistas, Judas chega acompanhado de uma multidão armada com paus e espadas. Ao se aproximar do mestre, beija-o na face. O gesto de amor é o sinal da traição. Os enviados dos sacerdotes judeus prendem Jesus e tem início o martírio. Em troca, o delator recebe 30 moedas de prata. Atormentado pela culpa, enforca-se em uma árvore. Com o dinheiro, os sacerdotes compram um terreno para instalar um cemitério.

Ensaio da Santa Ceia

Nas cartas de Paulo, os mais antigos documentos da nova religião em que o cristianismo estava se transformando, Judas nem é citado. O Evangelho de Marcos, cronologicamente a primeira das narrativas sobre a vida de Jesus, dedica a ele 169 palavras e o apresenta como aquele "que o entregou". À medida que o tempo vai passando, a discussão sobre o papel de Judas parece ocupar mais as comunidades cristãs primitivas, e o personagem ganha cada vez mais espaço. Em Lucas, passa a ser citado como "o traidor" e Satanás entra em seu corpo. O texto também deixa claro que a delação não terá perdão. João, o último dos ä evangelhos, utiliza 489 palavras para retratar Judas como uma figura demoníaca.

A controvérsia sobre o papel de Judas se espalhou para além dos Evangelhos e tem ecos até hoje. O cinema retratou o traidor arquetípico como se ele tivesse motivações humanas compreensíveis ou até justificáveis. No filme O Rei dos Reis, de Cecil B. De Mille, lançado em 1927, Judas está apaixonado por Madalena e trai Jesus por ciúme. Em Jesus Cristo Superstar, sucesso de 1973, o Judas vivido pelo ator negro Carl Anderson parece alguém mais atraído pela luta armada que pela pregação de Jesus. Um Judas pré-revolucionário, quase dissidente, distante da motivação monetária do Judas da Bíblia. O argentino Jorge Luis Borges conclui, em seu conto "Três versões de Judas", que o suposto delator é, na verdade, o verdadeiro salvador da humanidade por ter tornado possível a paixão de Cristo. Até Raul Seixas e Paulo Coelho compuseram, em 1978, uma canção que, lida ao pé da letra, repete o ensinamento do suposto Evangelho de Judas:

Parte de um plano secreto
Amigo fiel de Jesus
Eu fui escolhido por ele
Para pregá-lo na cruz

Não se trata de uma coincidência. De acordo com alguns estudiosos, o Evangelho de Judas não foi escrito pelo próprio apóstolo traidor. É uma composição do século II feita por gnósticos, membros de uma seita herética do início do cristianismo (leia o quadro ao lado). A seita atribuía a salvação ao conhecimento de uma realidade obscurecida por um mundo que havia sido criado por uma entidade do Mal, numa história parecida com a do filme Matrix, em que o personagem Neo, vivido por Keanu Reeves, desperta de uma ilusão para salvar o mundo. Jesus, para os gnósticos, faz o papel de Neo. A antiga heresia cristã entra na história do pop porque está na base de todo o esoterismo contemporâneo, que já teve em Paulo Coelho um bem-sucedido pregador.

"Q:O evangelho segundo Judas - continuação:#

CONSERVAÇÃO Os manuscritos ficaram guardados em Muhazafat al Minya, no Egito (na imagem, o cemitério da vila)

Até mesmo o uso do termo "traidor" para se referir a Judas já foi contestado. Ele pode, segundo alguns, ter sido traduzido com má intenção. A palavra original em grego, paradidomi, significa também "entregar" ou "desistir". O professor canadense William Klassen, da Escola Bíblica de Jerusalém, apontou 59 citações em relação a Judas nos Evangelhos. Desse total, em 27 ocasiões ela é usada com o sentido de deixar, abandonar. Nas outras 32 vezes, significa mesmo trair. A figura visual do traidor ä começou a ganhar forma nos séculos seguintes. Em pinturas medievais, Judas passou a ser retratado vestindo a cor amarela, a mesma de Satanás. Para alguns estudiosos, como o católico Raymond Brown, foram essas obras que começaram a atribuir traços identificados como semitas a Judas.

A possibilidade de que o último dos apóstolos não tenha sido deliberadamente um traidor - ou de que pelo menos ele não tenha sido assim considerado pelos primeiros cristãos - vem sendo discutida nos meios acadêmicos por estudiosos como o teólogo britânico Hugh Schonfield. "A crucificação de Cristo foi uma reencenação consciente da profecia bíblica, e Judas agiu com consentimento divino", diz o especialista. É para esse debate que o novo manuscrito promete trazer uma contribuição decisiva. "O cristianismo primitivo produziu um monte de documentos e certamente a maior parte deles desapareceu", diz Louis Painchaud, professor da Faculdade de Teologia e Ciências Religiosas da Universidade Laval, no Canadá. Especialista em manuscritos coptas, Painchaud afirma que o cristianismo, em seus primeiros anos, abrigava uma grande diversidade de opiniões. A doutrina sobre a origem e a natureza de Jesus, sobre a ressurreição, as práticas dos sacramentos e da oração, tudo estava em debate. "Muitas figuras, como Maria Madalena, Tiago, Paulo, Pedro, eram apreciadas, reverenciadas e exaltadas por uns e desprezadas por outros", diz. Judas também. "Progressivamente, algumas dessas interpretações foram marginalizadas e desapareceram, enquanto outras se tornaram dominantes." Para o ex-padre e teólogo Fernando Altemeyer, professor da PUC de São Paulo, Judas desempenhou um papel fundamental na história cristã. "Todo o complô entre os sacerdotes judeus e os romanos, no qual Judas tem uma função importante como delator, faz de Jesus um justo perseguido", diz ele. "Mas a atitude do apóstolo traidor não foi muito pior que a de Pedro, que o negou por três vezes, ou que a dos demais apóstolos, que o abandonaram. Judas foi um mal necessário, um inocente útil."

Para a Igreja Católica, porém, os novos manuscritos não devem representar nenhuma mudança de posição teológica. "Essa nova interpretação não vai mudar a teologia. Judas será sempre aquele que traiu Jesus", afirma Luiz Felipe Pondé, professor de Ciências da Religião da PUC de São Paulo e de Comunicação da Faap. "A discussão interessa mais aos estudiosos. Trata-se de uma questão interessante e até mesmo lógica." É elementar, diz Pondé, que Deus usasse os elementos que criou para fazer a Paixão de Cristo acontecer. Na excitação gerada pela descoberta dos manuscritos, o monsenhor Walter Brandmuller, presidente do Comitê Pontifício para as Ciências Históricas, chegou a ser apontado pelo jornal The Times, de Londres, como líder de uma comissão formada pelo Vaticano para a reabilitação de Judas. "Fiquei sabendo que eu estava fazendo isso pelo Times", disse Brandmuller em tom de brincadeira. O jornal depois se retratou, e Brandmuller tenta acalmar um excesso de expectativas. "Trata-se sobretudo de uma contribuição que pode servir para reconstruir a época e o contexto em que se desenvolveu a primeira pregação do cristianismo", afirma ele sobre a publicação do manuscrito.

Prevista para abril na revista National Geographic, a publicação será o capítulo final de uma história que lembra um filme de mistério. Do século IV ou V, data em que supostamente foi produzido, até a década de 1950 ou 1960, quando foi recuperado, o documento ficou conservado dentro de um estojo de pedra. Seu primeiro dono foi um joalheiro egípcio chamado Hannah. Ele tentou vender três tratados, organizados em um livro de capa de couro e folhas gastas de 16 centímetros X 29 centímetros, a um negociador de arte grego chamado Nikolas Koutoulakis. ä Hannah pedia US$ 3 milhões pelo Evangelho de Judas, que ocupava cerca de metade das 62 páginas do calhamaço. A outra parte era composta de cópias do "Primeiro Apocalipse de Tiago" e "Cartas de Paulo para Felipe", dois textos encontrados perto da cidade egípcia de Nag Hammadi, em 1945.

Hannah e Koutoulakis não se entenderam. Em todas as negociações, realizadas em quartos de hotel de Genebra, como nas boas histórias de espionagem, Koutoulakis exigia a presença de Mia, sua jovem amante. Sem jogo de cintura, o grego confiou a ela a negociação. Mia tentou passar a perna em Koutoulakis e, no tumulto que se seguiu, o manuscrito foi rasgado. Uma parte ficou com Mia e desapareceu por longo tempo. Uma página foi destruída. O resto, Koutoulakis conseguiu preservar. Mais tarde, porém, sob ameaça de morte, o grego devolveu tudo a Hannah.

MISTÉRIO O especialista em copta Stephen Emmel teve meia hora para ver os manuscritos, guardados em três caixas de sapatos, em um hotel em Genebra

Hannah então tentou vender o que conseguiu recuperar a algumas universidades americanas, como Yale. Mas o preço que pedia era alto demais. A essa altura, a existência dos manuscritos se tornou assunto entre os acadêmicos. O professor James Robinson, da Universidade de Claremont, na Virgínia, foi procurado pelo egípcio em 1983. Nesse mesmo ano, o especialista americano em língua copta Stephen Emmel e o papirologista alemão Ludwig Koenen foram enviados pela Universidade Metodista de Dallas à Suíça com a missão de avaliar os manuscritos, oferecidos enrolados em jornais e guardados em três caixas de sapatos. "As condições em que trabalhei eram muito pouco satisfatórias", disse Emmel. "Tive só meia hora para olhar o manuscrito, não podia fazer imagens nem tomar notas."

Outro estudioso das escrituras bíblicas, Charles Hedrick, professor aposentado da Universidade do Estado do Missouri, afirmou ter visto fotografias de seis páginas danificadas do Evangelho. As negociações de fato só aconteceram em 1999, quando o advogado Mario Jean Roberty, presidente da recém-criada Fundação Maecenas, e sua cliente, a empresária Frieda Nussberger-Tchacos, dona da galeria de arte Nefer, compraram a parte de Mia. No ano seguinte, eles reunificaram o documento ao adquirir os pedaços em posse de Hannah, que estavam depositados no cofre de uma agência do Citibank de Nova York. O Evangelho foi oferecido então ao americano Bruce Ferrini, um negociante de arte de Ohio. O preço pedido já havia baixado bastante. Estava em torno de US$ 750 mil. Não se sabe por que, mas também dessa vez o negócio não deu certo.

O manuscrito saiu então de cena até que, em julho de 2004, durante o 8o Congresso Internacional de Estudos Coptas, em Paris, o professor Rudolph Kasser, da Universidade de Genebra, anunciou que estava traduzindo uma versão do Evangelho de Judas. Aparentemente, Roberty e Frieda desistiram da venda e concentram os esforços na publicação dos manuscritos. O mais recente evangelho apócrifo dificilmente terá força para reverter 2 mil anos de tradição, mas deverá ao menos lançar novas visões sobre os fatos relatados no Novo Testamento. De acordo com Mario Roberty, presidente da Fundação Maecenas, o conteúdo dos manuscritos é explosivo, pois retrata Judas como herói, não como um traidor. Para o especialista americano em copta Stephen Emmel, a descoberta do Evangelho de Judas é tão importante quanto foi a dos manuscritos encontrados em 1945 no deserto egípcio de Nag Hammadi. "Tudo aponta para o Evangelho a que se refere Santo Irineu no século II", diz Emmel. Que revelações terá ele sobre Judas? Se, de fato, o traidor cometeu o suicídio, pecado imperdoável tanto para judeus quanto para cristãos, o Judas instrumento de Deus ficou enterrado no deserto com os manuscritos heréticos. Tem pouca chance de ressuscitar.

Nova Friburgo acordando


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Originally uploaded by Marcelo Guerra.

quarta-feira, abril 05, 2006

Morre aos 90 anos o palhaço Carequinha




George Savalla Gomes, o palhaço Carequinha morreu nesta manhã no Rio de Janeiro, aos 90 anos. Carequinha estava em casa, na Região Metropolitana do Rio. Carequinha nasceu em 18 de julho de 1915, em Rio Bonito, no interior do Rio. Carequinha era de uma família circense; sua mãe era aramista e trapezista. Começou a trabalhar com cinco anos de idade, em Carangola, Minas Gerais.

Isso me entristeceu, eu já vi tantas vezes o Circo do Carequinha, e ontem mesmo eu tinha falado sobre ele para minha filha de 4 anos... Eu o via sempre, pois ele morava em São Gonçalo, onde eu nasci e cresci.

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terça-feira, abril 04, 2006

Mídia leva adolescentes a ter sexo mais cedo, diz estudo

CHICAGO - Pesquisa divulgada nesta segunda-feira nos Estados Unidos afirma que, quanto mais adolescentes
são submetidos a sexualidade pelos meios de entretenimento, mais cedo se inicia sua vida sexual.
- Esta é a primeira vez em que mostramos que, quanto mais garotos são expostos ao sexo na mídia, mais
cedo eles têm sexo - disse Jane Brown, da Universidade da Carolina do Norte, chefe da pesquisa.
Estudos anteriores foram limitados à televisão.
A pesquisa observou 1.017 pessoas entre 12 e 14 anos de idade e novamente os observou dois anos mais
tarde. Foi analisada a exposição e 264 itens - filmes, programas de TV, música e revistas, selecionadas
conforme o conteúdo sexual.
Adolescentes brancos têm 2,2 mais chances de ter sexo entre os 14 e 0s 16 anos que aqueles que receberam
menor exposição.
O efeito não foi tão pronunciado em negros, diz a pesquisa, talvez porque os jovens negros selecionados para
o estudo já eram mais experientes quando a pesquisa começou e portanto menos sujeitos a influência dos
estímulos da mídia nos dois anos seguintes de observações.
Os jovens "podem começar a acreditar que na visão de mundo retratada e podem começar a adotar as normas
sociais da mídia. Alguns, especialmente aqueles que têm menos opções de normais sexuais, como as dos pais
ou dos amigos, podem usar a mídia como uma forma de superparceiro que os encoraja a serem sexualmente
ativos", diz o estudo, publicado este mês no jornal "Pediatrics", da Academia Americana de Pediatria.